Meu Ano Cinéfilo (2015)

A exemplo de 2013 e 14, registro aqui os filmes extra-circuito comercial vistos pela primeira vez no ano que mais me marcaram (o top do circuito publiquei aqui). A lista de 2015 nasce numa vibe director’s cut, com 70 posições (+ algumas menções) ao invés das 25 das anteriores, já que o exercício de memória foi muitíssimo facilitado pelo diário do Letterboxd.

Outra alteração é a divisão entre séculos. Para fazer justiça ao considerável número de bons filmes das últimas duas décadas vistos, criei um top para filmes do século XXI, mencionando outros que não teriam espaço entre tantas obras imensas da história do cinema.

Século XX

50. road games50. Road Games (idem; Richard Franklin, Austrália, 1981)

50. ucho49. A Orelha (Ucho; Karel Kachyna, Checoslováquia, 1970)

48. kisses48. Kisses (Kuchizuke; Yasuzô Masumura, Japão, 1957)

46. alerta vermelho da loucura47. Alerta Vermelho da Loucura (Il Rosso Segno Della Follia; Mario Bava, Itália, 1970)

lylah clare46. A Lenda de Lylah Clare (The Legend of Lylah Clare; Robert Aldrich, EUA,1968)

44. short night of glass dolls45. A Breve Noite das Bonecas de Vidro (La Corta Notte Delle Bambole di Vetro; Aldo Lado, Itália, 1971)

43. o matador de ovelhas44. O Matador de Ovelhas (Killer of Sheep; Charles Burnett, EUA, 1977)

42. a mão do diabo43. A Mão do Diabo (La Main du Diable; Maurice Tourneur, França, 1943)

41. minnie & moskowitz42. Assim Falou o Amor (Minnie & Moskowitz; John Cassavetes, EUA, 1971)

40. o trem41. O Trem (The Train; John Frankenheimer, EUA, 1964)

38. os ladrões40. Os Ladrões (Les Voleurs; Andre Téchine, França, 1996)

wake of the red witch39. No Rastro da Bruxa Vermelha (Wake of the Red Witch; Edward Ludwig, EUA, 1948)

37. o olho do mal38. O Olho do Mal (L’oeil du Malin; Claude Chabrol, França, 1962)

36. martin37. Martin (idem; George Romero, EUA, 1977)

34. excitação36. Excitação (idem; Jean Garret, Brasil, 1976)

35. meus pequenos amores35. Meus Pequenos Amores (Mes petites amoureuses; Jean Eustache, França, 1974)

33. saint jack34. Saint Jack (idem; Peter Bogdanovich, EUA, 1979)

32. the big gundown33. O Dia da Desforra (La Resa dei conti; Sergio Sollima, Itália, 1966)

31. scarlett empress32. A Imperatriz Vermelha (The Scarlett Empress; Josef Von Sternberg, EUA, 1934)

30. inquietude31. Inquietude (idem; Manoel de Oliveira, Portugal/França, 1998)

29. mulher do aviador30. A Mulher do Aviador (La femme de l’aviateur; Eric Rohmer, França, 1981)

28. gion29. As Irmãs de Gion (Gion no shimai; Kenji Mizoguchi, Japão, 1936)

27. une vie28. Uma Vida (Une Vie; Alexandre Astruc, França, 1958)

26. horatio27. O Falcão dos Mares (Captain Horatio Hornblower R.N.; Raoul Walsh, EUA, 1951)

25. apache drums26. Flechas da Vingança (Apache Drums; Hugo Fregonese, EUA, 1951)

24. numero deux25. Número Dois (Numero Deux; Jean-Luc Godard, França, 1975)

23. meu nome é tonho24. Meu Nome é Tonho (idem; Ozualdo Candeias, Brasil, 1969)

22. arrebato23. Arrebato (idem; Iván Zulueta, Espanha, 1979)

21. hanging tree22. A Árvore dos Enforcados (The Hanging Tree; Delmer Daves, EUA, 1959)

20. jeannenews from home21. Jeanne Dielman / News From Home (Jeanne Dielman, 23, quai du Commerce, 1080 Bruxelles; Chantal Akerman, Bélgica/França, 1975 / idem; Chantal Akerman, Bélgica/França/Alemanha Oriental, 1977)

20. naked dawnstrange illusion20. Madrugada da Traição / Estranha Ilusão (The Naked Dawn; Edgar G. Ulmer, EUA, 1955 / Strange Illusion; Edgar G. Ulmer, EUA, 1945)

18. suprema conquista19. A Suprema Conquista (Twentieth Century; Howard Hawks, EUA, 1934)

17. the outfit18. A Quadrilha (The Outfit; John Flynn, EUA, 1973)

19. special effects17. Special Effects (idem; Larry Cohen, EUA, 1984)

16. wavelenght16. Wavelength (idem; Michael Snow, Canadá/EUA, 1967)

15. artists and models15. Artistas e Modelos (Artists & Models; Frank Tashlin, EUA, 1955)

14.14. Cavalgada Trágica (Comanche Station; Budd Boetticher, EUA, 1960)

13. mulher branca13. Não Toque na Mulher Branca (Touche pas à la femme blanche; Marco Ferreri, Itália/França, 1974)

12. yearning12. Tormento (Midareru; Mikio Naruse, Japão, 1964)

11. the wind11. O Vento (The Wind; Victor Sjöström, EUA, 1928)

10. some came running10. Deus Sabe Quanto Amei (Some Came Running; Vincente Minnelli, EUA, 1958)

9. gli occhi9. Olhos na Boca (Gli occhi, la bocca; Marco Bellocchio, Itália/França, 1982)

8. man escaped8. Um Condenado à Morte Escapou (Un condamné à mort s’est échappé ou Le vent souffle où il veut; Robert Bresson, França, 1956)

7. moonlightning7. Classe Operária (Moonlighting; Jerzy Skolimowski, Reino Unido, 1982)

6. 6. the river 6. india song6. India: Matri Bhumi¹ / Rio Sagrado² / India Song³ (¹ idem; Roberto Rossellini, Itália/França, 1959 / ² The River; Jean Renoir, França/Reino Unido/India/EUA, 1951 / ³ idem; Marguerite Duras, França, 1975)

5. a flor do mar5. À Flor do Mar (idem; João César Monteiro, Portugal, 1986)

4. long voyage home

whole town's

4. A Longa Viagem Para Casa / O Homem Que Nunca Pecou (The Long Voyage Home; John Ford, EUA, 1940 / The Whole Town’s Talking; John Ford, EUA, 1935)

3. le trou

montparnasse

3. A Um Passo da Liberdade / Os Amantes de Montparnasse (Le Trou; Jacques Becker, França, 1960 / Modigliani of Montparnasse; Jacques Becker, França, 1958)
2. duelle2. Duelle (Duelle: une quarantaine; Jacques Rivette, França, 1976)
1. canyon passage1. Paixão Selvagem (Canyon Passage; Jacques Tourneur EUA, 1946)

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Século XXI

touch of sin 20. Um Toque de Pecado (A Touch of Sin; Jia Zhangke, China/Japão/França, 2014)

burying-the-ex19. Burying the Ex (idem; Joe Dante, EUA, 2014)

assassina18. A Assassina (Nie yin niang; Hsiao-Hsien Hou, Taiwan/China/Hong Kong/França, 2015)

para minha irma17. Para Minha Irmã (À ma soeur!; Catherine Breillat, França, 2001)

lessons of the evil16. Lessons of the Evil (Aku no Kyoten; Takashi Miike, Japão, 2012)

lady in the water15. A Dama na Água (Lady in the Water; M. Night Shyamalan, EUA, 2006)

historias extraordinarias14. Histórias Extraordinárias (Historias Extraordinarias; Mariano Llinás, Argentina, 2008)

forbidden rom13. O Quarto Proibido (The Forbidden Room; Guy Maddin, Canadá, 2015)

tornerano i prati12. Os Campos Voltarão (Torneranno I Prati; Ermanno Olmi, Itália, 2014)

retribution11. Resident Evil 5: Retribuição (Resident Evil: Retribution; Paul W. Anderson, EUA, 2012)
blackhat10. Hacker (Blackhat; Michael Mann, EUA, 2015)

traveling light9. Traveling Light (idem; Gina Telaroli, EUA, 2011)

louvre8. Uma Visita ao Louvre (Une Visite au Louvre; Jean-Marie Straub e Danièle Huillet, Alemanha/França/Itália, 2004)

midnight after7. The Midnight After (Na yeh ling san, ngo joa seung liu Wong Gok hoi wong dai bou dik hung Van; Fruit Chan, Hong Kong, 2014)

goinghome26. Vou Para Casa (Je rentre à la maison; Manoel de Oliveira, Portugal/França, 2001)

the day he arrives5. The Day He Arrives (Book chon bang hyang; Hong Sang-soo, Coreia do Sul, 2011)

não toque no machado4. Não Toque no Machado (Ne touchez pas la hache; Jacques Rivette, França/Itália, 2007)

cidade de sylvia3. Na Cidade de Sylvia (En la ciudad de Sylvia; José Luis Guerín, Espanha/França, 2007)

ptu sparrow2. PTU / Sparrow (PTU; Johnnie To, Hong Kong, 2003 / Man jeuk; Johnnie To, Hong Kong, 2008)

visita ou memórias1. Visita ou Memórias e Confissões (idem; Manoel de Oliveira, Portugal, 2015)

Canyon Passage (Jacques Tourneur, 1946)

Absolutamente apaixonado por esse filme. É o primeiro western e primeiro filme colorido de Tourneur, mas impressiona demais a maturidade do uso das cores, a composição precisa de cada quadro, seja pra reforçar a ilusão idílica da comunidade americana que firma suas bases em uma terra pura, seja pra ressaltar o quanto este é um sonho impossível e é fragilizado pela própria natureza (especialmente a natureza violenta, viciosa e corruptível dos homens – e enfim, não há terra colonizada que não esteja banhada em sangue, por mais bela e aparentemente tranquila que seja). Tourneur vinha de uma série de experiências com o horror e o noir, e a estrutura narrativa e alguns elementos lembram muito filmes como O Homem Leopardo e I Walked With a Zombie. O fora de quadro – especialmente a ameaça indígena que induz a um medo sempre a ponto de inflamar na comunidade, reforçado pela floresta que é uma espécie de entidade onipresente muito simbólica – é como sempre de uma força descomunal, há inclusive dois assassinatos sutilmente ocultados por elipses, em que a ação é interrompida com um close seco no rosto do assassino, e a expressão daqueles rostos evidencia uma pulsão violenta ainda mais impactante do que a violência que é exposta no quadro. Também nos insere num círculo muito cuidadoso de personagens e nos permite percorrer por ele com certa liberdade, experimentar pontos de vista que não os do protagonista, vivenciar mesmo a vida daquela comunidade, os desejos, paixões, medos, sonhos e pecados de uma gama de homens e mulheres. É um filme ao mesmo tempo tão cheio de vida e de uma inevitável predestinação à morte que é quase inacreditável que isso tudo seja narrado em apenas 90 minutos, mas aí é o momento de lembrarmos que esse feito é recorrente em Tourneur e que este é o maior dos cineastas não sem motivos.5 68 7 19 94101114 21 20 12 22 13 15 163 17 2 18 1

Meu ano cinéfilo (2014)

Mudança, viagens, festas de final de ano & otras cositas más inviabilizam meu mês de dezembro para filmes, mas as listas de final de ano são tão inevitáveis quanto os especiais do Roberto Carlos, a overdose de Happy Xmas versão Simone e os shows anuais do Paul McCartney no Brasil; adianto aqui a primeira delas. A relação com os melhores do circuito – no meu caso, do pequeno recorte que acompanhei dele, com notável desinteresse pelo restante – deve ser publicada no Cineplayers junto das demais retrospectivas. Neste post, seguindo modelo criado em 2013, elenco 25 filmes que não estiveram comercialmente em cartaz no Brasil, mas que me marcaram profundamente em 2014. Talvez sirva para buscar recomendações, talvez sirva como registro; possivelmente não sirva para nada.

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25. O Homem que Burlou a Máfia (Charley Varrick, 1973), de Don Siegel

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24. Branco Sai Preto Fica (idem, 2014), de Adirley Queirós

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23. Poeira no Vento (Lian lian feng chen, 1987), de Hsiao-Hsien Hou

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22. Femmes Femmes (idem, 1974), de Paul Vecchiali

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21. Yoyo (idem, 1965), de Pierre Étaix

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20. Sem Sol (Sans Soleil, 1983), de Chris Marker

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19. Só Se Vive uma Vez (You Only Live Once, 1937), de Fritz Lang

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18. Os Indigentes do Bom Deus (Les Savates du Bon Dieu, 2000), de Jean-Claude Brisseau

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17. O Pão Nosso (Our Daily Bread, 1934), de King Vidor

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16. E Agora? Lembra-me (idem, 2013), de Joaquim Pinto

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15. Coração Prisioneiro (Caught, 1949), de Max Ophüls

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14. Gente da Sicília (Sicília!, 1999), de Jean-Marie Straub & Danièle Huillet

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13. Filme Demência (idem, 1986), de Carlos Reichenbach

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12. Gertrud (idem, 1964), de Carl Theodor Dreyer

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11. Pai e Filha (Banshun, 1949), de Yasujiro Ozu

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10. Disparo Para Matar (The Shooting, 1968), de Monte Hellman

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9. Mulher Tentada (Catene, 1949), de Raffaello Matarazzo

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8. Tudo Que o Céu Permite (All That Heaven Allows, 1955), de Douglas Sirk

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7. Os Amores de Pandora (Pandora and the Flying Dutchman, 1951), de Albert Lewin

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6. Flor Seca (Pale Flower, 1964), de Masahiro Shinoda

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5.  Viagem ao Princípio do Mundo (idem, 1997), de Manoel de Oliveira

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4. Os Noivos (Il Fidanzati, 1963), de Ermanno Olmi

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3. O Condenado (Odd Man Out, 1947), de Carol Reed

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2. Sua Única Saída (Pursued, 1947), de Raoul Walsh

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1. Noite de Estreia (Opening Night, 1977), de John Cassavetes

Breves comentários sobre 10 bons filmes recentes

Alguns comentários sobre filmes que entraram em cartaz ou transitaram pelo país em festivais. Foram redigidos para a seção preguiça do Cineplayers, na qual o maldito poder de síntese é testado pelo restrito espaço de 240 caracteres.

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Era Uma Vez em Nova York (The Immigrant, 2013), de James Gray

Sonho e desilusão; miséria e virtude; sacro e profano; pecado e perdão. Os personagens de A Imigrante transbordam dualidades, resguardam em si o peso da vida, em um filme que é maior que qualquer definição aplicada a ele. Nota: 9.5

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Bem Vindo a Nova York (Welcome to New Tork, 2014), de Abel Ferrara

Ferrara parte de um fato real para ficciona-lo livremente, compondo um personagem que se destaca entre os mais fortes de sua filmografia. Um filme de encenação minimalista todo arquitetado em torno do corpo e da respiração impressionantes de Depardieu. Nota: 9.0

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E Agora? Lembra-me (E Agora? Lembra-me, 2014), de Joaquim Pinto

Com este ensaio poético e documental, acompanhando seus dias de tratamento clandestino do HIV e o cotidiano do sítio em que mora com o namorado, o cineasta/protagonista Joaquim Pinto filma intensas pulsões de vida, em encontro ao que ela possui de mais singelo e tocante. Nota: 9.0

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O Ciúme (La Jelousie, 2013), de Phillippe Garrel

A câmera na mão invade o cotidiano para registrar fragmentos e, tal qual o olhar pela fechadura que abre o filme, nos deixa mais com duras impressões que com convicções. Sobre o que há no entorno do amor, sobre relacionamentos e o que resta deles. Nota: 8.5

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Seventh Code (Sebunsu kôdo, 2013), de Kyioshi Kurosawa

“Não confie em ninguém”, diz em certo momento uma personagem; muito menos num cineasta. Com simplicidade encantadora, Kurosawa arquiteta 60 minutos deliciosos de um cinema que trapaceia nossas impressões até o plano derradeiro, conduzindo-nos a caminhos inimagináveis. Nota: 8.5

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Mapas Para as Estrelas (Maps to the Stars, 2014), de David Cronenberg

A sátira a Hollywood que a publicidade tentou vender a todo custo é na verdade muito menos significativo do que as verdadeiras potências do filme. Um drama familiar próximo do horror, repleto de traumas, fantasmas e dilacerações. Nota: 8.5

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Noites Brancas no Píer (Nuits blanches sur la jetée, 2014), de Paul Vecchiali

Profunda obra sobre a solidão, o amor e a palavra. Vecchiali atualiza o texto de Dostoiévski com uma envolvente dramaturgia teatral, cenário único e delicado trabalho de luz. Destaque pra bela dança de Natasha e as demais cenas envolvendo seu Iphone. Nota: 8.0

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Amar, Beber e Cantar (Aimer, Boire et Chanter, 2014), de Alain Resnais

Um divertido filme-testamento que materializa o extracampo tornando-o elemento vital da encenação. Que o morto seja o homem mais cheio de vida da história e que Resnais morra logo após finalizar o filme parece mais uma das suas deliciosas ironias. Nota: 8.0

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A Sapiência (La Sapienza, 2014), de Eugène Green

A relação dos homens com o espaço e a História que eles abrigam foi trabalhada com maior sutileza em A Religiosa Portuguesa, mas Green realiza aqui um belo filme diretamente ligado ao tema que, ao fim, almeja uma redenção que ainda não me conquista. Nota: 7.5

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Dois Dias, Uma Noite (Deux Jours, Une Nuit, 2014), de Jean-Pierre & Luc Dardenne

Curioso vê-lo logo após A Lenda da Flauta Mágica de Demy, filmes historicamente distantes com uma Europa engolida por crises avassaladoras (de saúde pública ou econômicas). Dois filmes em que os poucos sorrisos são embalados pelo contato com a música. Nota: 7.5